Combate à fome: vem aí o prato feito, de graça, no restaurante ou na quentinha

Prefeitura lança nesta quinta programa que vai oferecer Cartão PF, para trabalhadores informais, e quentinhas feitas em cozinhas comunitárias. Beneficiados terão de estar inscritos no CadÚnico

RIO — Uma tradição do Rio vai virar nome de programa, que terá como madrinha um baluarte do samba. Matriarca da Portela e integrante da velha guarda da escola, Tia Surica vai apadrinhar o Prato Feito Carioca, que será lançado nesta quinta-feira pelo prefeito Eduardo Paes. Através de licitações, serão contratadas uma empresa de vale refeição, para oferecer o Cartão PF Carioca, e três organizações da sociedade civil, que ficarão encarregadas de selecionar 55 cozinhas comunitárias em favelas. Voltados para pessoas em situação de pobreza e de extrema pobreza, inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), os dois benefícios serão custeados pelo município.

Tia Surica parte de uma experiência pessoal para lembrar a importância de matar a fome, especialmente neste momento de crise econômica, agravada pela pandemia de Covid-19. Junto com vizinhos, uma vez por mês, ela prepara quentinhas que são distribuídas nas ruas:

— Há muita gente desempregada. Temos que ser solidários e ajudar a quem precisa.

Laura Carneiro lembra que, desde 2006, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) já previa a implementação de ações, entre elas a criação de cozinhas comunitárias.

— A gente tem de ir onde a fome está. Não tem aquela música — destaca a secretária, adaptando um verso da música “Nos bailes da vida”, de Milton Nascimento, que diz que “Todo artista tem de ir aonde o povo está” — Estamos montando uma rede de segurança alimentar, que vai priorizar, no caso das comunidades, a economia local. Também fortalecemos bares e pequenos restaurantes, que já fornecem refeições na hora do almoço, girando recursos na cidade.

Cartão: 22 refeições por mês
Poderão se habilitar ao Cartão PF Carioca 9.880 trabalhadores informais, como catadores, ambulantes e artistas de rua, cadastrados no CadÚnico. Com o cartão, o beneficiado poderá consumir 22 refeições por mês, no valor de R$ 11 cada, em restaurantes que estão se inscrevendo na prefeitura, através de parceria com o Sindicato dos Bares e Restaurantes do Rio.

Morador do Vidigal há 19 anos, o artesão Júlio Cesar de Moraes, de 62 anos, está entre os que vão se inscrever no projeto. Sob encomenda, ele produz objetos como suporte para celulares, porta-retratos e porta-lápis, a partir de embalagens de leite, latas e garrafas PET.

— Ando muito pela rua, e a comida pronta está muito cara. Às vezes, espero chegar em casa para almoçar. O cartão vai dar uma forcinha. Onde eu estiver, vou poder procurar um lugar para comer — conta Moraes, que ganha cerca de R$ 700 por mês com a venda de seus produtos. — Com a pandemia, minha renda diminuiu bastante.

Quanto às cozinhas comunitárias, as três organizações sociais escolhidas vão selecionar as 55 primeiras. Cada uma terá que oferecer 200 quentinhas por dia (11 mil no total), sendo remuneradas em R$ 7,25 por refeição. A prefeitura deve remodelar seus equipamentos.

Incrições em plantaforma digital

As inscrições tanto para o cartão como para as quentinhas, serão feitas por uma plataforma digital, entre os dias 15 e 30 de abril. Caso o interessado não tenha acesso à internet, poderá procurar um dos centro da Secretaria de A intenção é que os cartões já estejam sendo usados antes do dia trabalho (1º de maio). As cozinhas poderão levar até três meses para começarem a funcionar.

Um outro programa voltado para oferecer comida de qualidade a preços acessíveis para a população carente foi o dos restaurantes populares, criado em 2004 pelo estado. Ele acabou em 2016, a reboque da crise financeira do governo, que deixou de pagar aos seus fornecedores. As oito unidades da capital fecharam. Mas, em 2017, a prefeitura assumiu três delas — Campo Grande, Bangu e Bonsucesso —, que continuam funcionando para desjejum e almoço, a R$ 2.

A Secretaria estadual de Desenvolvimento Social diz que três outros restaurantes devem ser reabertos, mas não há uma data definida. O de Madureira deve entrar em obras em algumas semanas. As intervenções no novo espaço destinado a restaurante na Central do Brasil devem ser licitadas nos próximos dias. Ainda não há data prevista para licitar a reforma da unidade do Méier.

 

Fonte: Selma Schmidt – Jornal O Globo Rio

Sobre a laura Carneiro

Laura Carneiro é advogada formada pela UERJ, aos 22 anos. Coautora do Estatuto do Idoso, autora de milhares de proposições e de leis de defesa da mulher, da criança e do adolescente. Foi vereadora pela primeira vez aos 25 anos e está em seu quarto mandato. Também foi deputada federal quatro vezes e secretária municipal de Assistência Social entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de março de 2022.

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